quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Com a boca. Com os pés.

Quando se escreve um blogue ou qualquer outra coisa com possibilidades de ser vista por um certo número de pessoas é impossível deixar de pensar na reacção do hipotético público perante aquilo que é escrito. E de imaginar a reacção a imaginar o público que reage vai uma curta distância. De criar expectativas face a esse público vai uma distância ainda menor. O tipo de público que eu imagino que este blogue possa eventualmente vir a ter é o tipo de público que sorri de modo sacana perante um título como o deste post. Do mesmo modo que aqui o Trambalazana sorriria. 

Assim, há que pedir desculpa ao público. Desculpa público. Este post não vai falar naquilo que todos nós estamos a pensar, que de resto é o que o título sugere. Fica para uma próxima vez. Hoje o assunto é outro.

Chegou-me pelo correio um envelope da Associação dos Artistas Pintores com a Boca e os Pés cheio de postais pintados pelos supracitados artistas através do supracitado método. Fez-me disparar o pensamento em vários sentidos. Na direcção de muitos natais, no século passado, em que uma Avó gone but no forgotten, mostrava aos netos a sua colecção de postais desse género. Na direcção da minha inqualificável capacidade artística que, mesmo provida de mãos, não conseguiria desenhar uma casa nem que disso dependesse a paz no mundo ou o Benfica campeão. Na direcção do papel que solicitava um contributo financeiro que, por um misto de tesismo e forretice crónica não irei fazer, ainda que reconheça que é uma causa que merece apoio. Afinal, perder os braços ou as mãos é estupidamente fácil, podendo acontecer a qualquer um, a qualquer momento. Difícil é, no meio da desgraça, ainda arranjar força para fazer uma coisa destas.



Evidentemente, no envelope que recebi não havia nenhuma chinesice destas. É pena. Talvez, tal como o texto sobre outras coisas tão ou mais artísticas que também podem ser feitas com a boca e com os pés, fique para uma próxima ocasião.

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